Clouds AO e SEArch vencem o concurso “Mars Habitat” da NASA com proposta em impressão 3D

ICE HOUSE. Imagem © Clouds AO e SEArch

A NASA, que recentemente confirmou a evidência de água corrente em Marte, declarou que os escritórios SEArch (Space Exploration Architecture) e Clouds AO (Clouds Architecture Office) venceram o concurso 3D Printed Habitat. Patrocinado pela NASA e pela America Makes, as equipes foram convidadas a usar materiais nativos e técnicas de impressão 3D para construir um habitat para quatro astronautas em Marte. A proposta vencedora, Ice House, foi premiada com US$25 mil e superou outras 30 finalistas.

“Reconhecendo que a água é o alicerce para a vida, a equipe usou a ideia de ‘seguir a água’ para abordar conceitualmente o local e construir seu projeto”, disseram SEArch e Clouds AO. “[Nossa] proposta se destacou como uma das poucas a não para enterrar o habitat no subsolo, através da abundância antecipada de uma superfície de gelo na região norte que cria um escudo de gelo fino e vertical capaz de proteger o habitat da radiação enquanto celebra vida acima do solo. ”

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ICE HOUSE. Imagem © Clouds AO e SEArch

Da equipe vencedora: A arquitetura da ICE HOUSE celebra a presença de um habitat humano como um farol de luz na superfície marciana. O projeto surgiu a partir de um imperativo para trazer luz ao interior da residência e criar conexões visuais à paisagem além de permitir que a mente, assim como o corpo, prospere. Os cientistas fizeram experiências com o que poderiam ser os potenciais substitutos sintéticos para a luz solar, porém eles não detêm a mesma variação circadiana ou capacidade de equilibrar a saúde mental e física de uma equipe fazendo-os experimentar ciclos diários reais. O gelo neutraliza o perigo tradicional de viver acima do solo, servindo como uma barreira de radiação, superando o medo da exposição solar que têm, até agora, a arquitetura marciana – enterrada em uma superfície rochosa que acredita-se conter percloratos, gipsita e outras substâncias perigosas para a vida humana.

Água como um Escudo para Radiação

Tirando proveito da capacidade do gelo de filtrar os raios do sol e proteger contra a radiação, a ICE HOUSE prioriza uma vida acima do solo e celebra a presença humana na superfície do planeta. O exterior semi-translúcido re-introduz o conceito terrestre de gradientes interior-para-exterior, desafiando suposições comuns que habitats extraterrestres exigem barreiras impenetráveis separando visualmente o interior do exterior circundante. O coração da estrutura, os alojamentos, é estritamente interior, protegendo-os da diferença de pressão. A medida que o usuário se move para fora em direção ao perímetro de gelo, há uma transição para a vida integrada e vistas sobre a paisagem marciana, integrando o exterior com o meio ambiente espacial.

ICE HOUSE. Imagem © Clouds AO e SEArch
ICE HOUSE. Imagem © Clouds AO e SEArch

Um Habitat Vertical

O aterrissador, orientado verticalmente, contém os serviços mecânicos do habitat e herda a orientação provável da tripulação (MTV) Transit Habitat para facilitar a adaptação dos tripulantes à vida na superfície marciana. Elementos empilhados organizam os programas centrais por atividade, apresentando um espectro de privada para espaços interiores comuns. A eficiência interior cria bolsões de armazenamento consideráveis na base do habitat para abrigar tanto os robôs quanto os quatro Sistemas de Suporte do Controle Ambiental e da Sobrevivência (ECLSS). Uma vez que o aterrissador implantou a membrana inflável ETFE, pontes pré-fabricadas se desdobram de dentro dele, criando ‘bolsões’ para o programa ser inserido. Uma escada em espiral no centro do aterrissador fornece a circulação aos níveis superiores do habitat e, simultaneamente, oferece à tripulação uma maneira de se exercitar subindo e descendo os níveis.

ICE HOUSE. Imagem © Clouds AO e SEArch
ICE HOUSE. Imagem © Clouds AO e SEArch

Zona Intermediária

Termicamente separado do habitat interior, o espaço ocupável no invólucro exterior proporciona uma zona neutra verdadeiramente protegida que não é inteiramente interior ou exterior; ela permite que os astronautas experimentem o “fora”, sem precisar vestir uma roupa EVA. Este espaço intersticial demonstra uma nova, libertadora e revolucionária definição de viver em outro planeta, comemorando a novidade da vida em Marte. Qualidades de luz adicionais, incluindo terapias de cor, são projetadas através de uma impressão robótica da superfície do abrigo para criar um efeito “lente Fresnel” de refracção e concentrar a luz dentro da superfície interior da estrutura abobadada.

No aterrissador existe um escudo secundário, semi-independente de camadas de gelo longe do reservatório exterior. A redundância protetora da pele dupla cria duas camadas de espaço entre a membrana ETFE e o aterrissador, que ao compartilhar um limite de pressão comum, também cria uma zona de temperatura e ar distinta. Isso cria um espaço cheio pátios verdes, uma experiência inimaginável em Marte.

Jardins de Oxigênio

Entre o núcleo do aterrissador e o interior da ICE HOUSE, a vida vegetal rodeia os habitantes. O crescimento vertical dos jardins hidropônicos servem como parques recreativos ‘dentro do habitat, interrompendo a monotonia da paisagem alienígena de Marte, complementando, ao mesmo tempo, a comida da tripulação e criando oxigênio. Os jardins permitem o crescimento de produtos de consumo experimental e sua colocação entre as zonas programáticas oferece o contato da tripulação com a vida vegetal natural ao longo de suas atividades diárias. Os efeitos de luz resultantes beneficiam o bem-estar psicológico e mental da tripulação e o ‘quintal’ fornece espaço para exalar qualquer excesso de oxigênio produzido.

ICE HOUSE. Imagem © Clouds AO e SEArch
ICE HOUSE. Imagem © Clouds AO e SEArch

‘Cavernas’ de Gelo

O volume interior de gelo é como uma série de “cavernas” programáticas conceitualmente escavadas para formar as paredes e divisões do volume do habitat. Os espaços curvos criam uma ilusão de espaço cíclico, reforçando a percepção da ausência de limites, fazendo um pequeno espaço parecer muito maior.

Janelas ETFE

Onde a camada de gelo é bem fina, grandes janelas infláveis ETFE cheia de gás de proteção à radiação expandem ainda mais os pontos de vista emoldurando a paisagem. Juntos, esses recursos permitem oportunidades tanto coletivas quanto privadas para contemplar a vista extraordinária do terreno marciano.

Confira o vídeo da premiação:

O segundo lugar e o prêmio do júri popular foram dados ao Team GAMMALavaHive ficou em terceiro lugar.

Proposta do Team Gamma, vencedora do segundo lugar. Imagem Cortesia de NASA
Proposta do Team Gamma, vencedora do segundo lugar. Imagem Cortesia de NASA
Proposta do LavaHive, vencedora do terceiro lugar. Imagem Cortesia de NASA

Fonte: Arch Daily

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